Tá, mas voltando pra festa... vou deixar um hiato de tempo pra explicar minha relação com isso que os seres humanos chamam de amor, certo?
Ainda tocava 'Somebody that I used to know', de Gotye Feat, quando Betriz e eu nos aproximamos de Number One. O meu coração batia acelerado, eu sentia um calor subindo pro rosto... 'iii - pensei - vou ficar vermelha'.
E Beatriz nos apresentou. E ponto.
Ele educadamente apertou minha mão... um aperto de mão firme (você sabe.. diferente daqueles apertos de mão que não parecem um aperto, a pessoa apenas segura sua mão, como se apenas estivesse cumprindo uma obrigação social - sem interação nenhuma). O aperto de mão dele é de quem demonstra segurança, de alguém que, embora cercado de muitas outras pessoas, no momento da apresentação está só com o apresentado... só com você.
Uma meia dúzia de palavras, as de praxe. E ponto.
Logo apareceu outra pessoa - Dra. Carla - interessadíssima em saber tudo sobre a partida para a África, e Number One voltou seus olhos, seu corpo, sua atenção para ela.
Depois fiquei sabendo que eram amigos de longa data; que ela acabara de chegar da Europa (onde fora fazer doutorado); que fazia muito tempo que não conversavam face to face...etc., etc.
Claro... ele foi corretíssimo... eu estava apenas sendo apresentada a ele... ou ele a mim - tanto faz. E várias outras pessoas também foram e seriam apresentadas, apenas.
Meu Deus como fiquei decepcionada. Eu esperava que ele largasse a festa e só conversasse comigo... eu tinha tanto pra falar - afinal havia passado um bocado de tempo pesquisando sobre ele no Google. Queria dizer como achava incrível seu amor pela dor das crianças, dos pais, dos sofredores africanos, seu amor por um povo inteiro; queria falar sobre seus artigos, suas pesquisas...
Mas não falei nada. Claro que Beatriz e eu não nos afastamos, ficamos ouvindo-o conversar com Carla e nos limitamos a balançar a cabeça em aprovação, a arregalar os olhos quando ele mencionava algo atroz sobre o sofrido continente... ficamos as duas aí... fazendo meneios e as caretas tradicionais de quem está ouvindo atentamente.
A atenção dele estava voltada à Carla, mas é claro que seus olhos passavam por nós duas (Beatriz e eu) às vezes, deixando-nos à vontade para ficar na rodinha de pessoas que pouco a pouco aumentava.
Mas houve um cruzar de olhos... um único cruzar de olhos que penetrou profundamente no meu coração (e no dele também - depois ele me disse).
Sabe!? Eu não acredito em flecha de Cupido... mas no momento desse olhar alguma coisa aconteceu... talvez eu tenha de rever minhas crenças nesse tal de Cupido.
Ah! eu não percebi na hora a flechada.... e ah! também fiquei aliviadíssima de me livrar da sensação de que algo iria acontecer...(que, na verdade aconteceu, mas eu só percebi um bom tempo depois).
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