Imagine uma família feliz... onde tudo vai bem. Um pai, uma mãe e dois filhos - um menino e uma menina.
Um pai - psicólogo bem-sucedido, amoroso com seus filhos, com sua esposa, responsável. Um homem forte que não se deixava abater por qualquer dificuldade. Um homem que fazia tudo o que estava ao seu alcance para o bem de sua família.
O meu pai... como era bom quando ele estava por perto. Como era bom tê-lo como pai.
Uma mãe - enfermeira, que decidira deixar de trabalhar quando os filhos nasceram porque queria criar seus filhos. Queria aproveitar todos os momentos possíveis, ensiná-los a agir corretamente, a ser éticos, queria formar personalidades saudáveis, pessoas felizes. Queria estar por perto sempre que eles precisassem.
A minha mãe... como era bom quando ela estava por perto. Como era bom tê-la como mãe.
Um garoto - de dez anos, que adorava jogar futebol, pegar onda, judô, andar de bicicleta, andar de patins... também gostava um pouquinho de estudar - só um pouquinho (ele dizia)... o suficiente pra não ficar de recuperação... mas mamãe se encarregava de fazê-lo aprender de verdade.
O meu irmão... como era bom quando ele estava por perto. Como era bom saber que ele era meu irmão.
Eu - uma garotinha de sete anos, que adorava tudo o que meu pai fazia, tudo o que minha mãe fazia e tudo o que meu irmão fazia (hoje fico pensando se eu não tinha personalidade naquela época).
O que mais me lembro daquela época, ou melhor, o que só lembro daquela época é que minha vida só era boa quando estava junto com um dos três, pelo menos.
É, eu tivera a sorte de nascer em uma família feliz... equilibrada... amorosa. Foi com essa família que passei os primeiros sete anos de minha vida. E, acredito, que era para eu passar mais outros sete, mais sete e mais sete anos, pelo menos, com essa família. A minha família.
Mas não aconteceu assim. Cedo eu aprendi que a vida toma os caminhos que quer, sem consultar os verdadeiros interessados - nós.
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