domingo, 28 de abril de 2013

Apertei a mão de Number One, olhei nos olhos dele, trocamos algumas palavras, ouvi-o responder a todas as perguntas que eram feitas... comi qualquer coisa que me foi oferecida, bebi refrigerante... perambulei pelo salão, cumprimentei uns, conversei com outros.. e decidi ir embora.

Saí à francesa. Com uma sensação de que alguma coisa tinha sido perdida, de que eu estava deixando algo para trás, sensação de um dever não cumprido... sei lá. Só sei que saí de lá com uma sensação estranha.

Saí triste...

Quando eu tinha sete anos, eu vivia feliz com meus pais e meu irmão, Thiago. Nós formávamos um típica família de comercial de margarina. Éramos felizes.

Meu pai, um homem de 1,85 era a pessoa mais bacana que alguém pode ter por perto. Sua sensibilidade tornava-o um ser especial. Pra mim, ele era um super-herói - desses que a gente vê em filmes salvando as pessoas.

Ele sempre me salvava. De uma onda forte que me derrubava na praia. Do cachorro do vizinho, que às vezes fugia pelo portão e com suas patas enormes quase me jogava ao chão - não fosse meu pai pegar-me rapidamente no colo, fazer uma cara bem feia e gritar pro cachorro sumir da nossa frente. Dos pesadelos que me deixavam completamente molhada - isso mais ou menos até meus cinco anos - depois eram só pesadelos... secos. Dos fantasmas que rondavam nossa casa - na minha fértil imaginação.

Eu não gostava de dormir no escuro, ele sempre deixava uma luzinha  acesa até eu adormecer.
Eu não gostava de ervilhas, então ele sempre lembrava de pedir cachorro-quente sem ervilhas pra mim.
Eu adorava brigadeiro, ele sempre os fazia pra  mim.

Eu gostava de ouvir história, e ele lia todas as noites.

As mil e uma noites (eu me imagina sendo Sherazade, uma jovem de beleza e inteligência extraordinárias e, como ela, enfrentaria o poder do grande Sultão Shariman e conquistaria seu coração); Moby Dick (um livro com capítulos enormes e outros menores, exatamente como são as ondas do mar); O pequeno príncipe (Le Petit Prince, este meu pai leu em fracês/traduzindo pedacinho por pedacinho... acho que foi aí que surgiu meu amor por línguas estrangeiras); Polyanna (juro que tentei viver o 'jogo do contente'.... tive uns 5 % de sucesso em cada tentativa); O menino do dedo verde (mil vezes toquei coisinhas para ver se surgiriam plantinhas.... não peciso dizer que isso nunca aconteceu); Monteiro Lobato (fui Narizinho, ganhei até uma boneca de pano, a minha Emília, tinha até meu próprio pomar na casa do vovô).

E ele lia, lia e lia....

e eu, deslumbrada, ouvia e pensava: 'como é que pode ter tanta coisa maravilhosa nas páginas dos livros?'.

E eu acreditava que a relidade ia se apresentar sempre assim (como nos livros que meu  pai leu pra mim)....maravilhosa.

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