domingo, 12 de maio de 2013

"Viraram três estrelinhas", quanta maldade há nestas três palavras juntas formando uma frase de consolo.

Quem em sã consciência quer que alguém querido, ou apenas próximo, de carne e osso vire uma estrela? Ninguém.

Lembro-me de noites e noites eu ficar olhando pro céu tentando adivinhar quais eram as três estrelinhas em que papai, mamãe e meu irmão tinham se transformado. Às vezes decidia por três quaisquer e esperava que fizessem um sinal pra mim, acenando ... com um brilho mais forte... que eu havia acertado.

Não preciso dizer que passei horas e horas tentando encontrá-los no céu. E a tortura de deitar em minha cama, cobrir a cabeça com o travesseiro, tentando sufocar a dor por me sentir tão incompetente em encontrá-los.... tão competente em não encontrá-los... quanta dor, raiva, ódio... de mim, das estrelas, de Deus (ou qualquer algo que tivesse me presenteado com uma família e, depois, tirado.. tudo de uma vez... e não me deixar sequer distingui-los do meio de tantas estrelas... todas iguais). Odiei a vida.

Por um bom tempo...chorei. 'Quem sabe com minhas lágrimas comovo alguém!?'

Nada... nem ninguém me atendeu. Até o momento em que acho que me acostumei.

Eu me acostumei a não ter esperança. Depois fui entendendo, deixando de ter raiva... acreditando, desacreditando... vivendo, como uma pessoa normal.

Assim é que é feita a vida: a gente nasce e a gente morre.

Não adiante reclamar, nem espernear; já é determinado... predeterminado. E quando entendi isso, mais ainda achei melhor as coisas terem acontecido como aconteceram. Um pouquinho diferente, e a dor seria de um dos três... e eu não queria isso pra nenhum deles.

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