segunda-feira, 6 de maio de 2013

Não lembro bem... não me lembro bem de quase nada daquele setembro, outubro, novembro.... e dos meses que se seguiram.

Tudo é muito nebuloso na minha mente. Agora que entendo um pouquinho de medicina, posso dizer que o que aconteceu naquela época e durou por um bom tempinho é que meu corpo, minha mente, alma...sei lá mais o que que compõe um ser humano anestesiaram-se.

E acho que só que porque eu estava anestesiada eu sobrevivi. Se eu estivesse completamente 'acordada', não sobreviveria.... parava de respirar - a dor é insuportável.

Uma hora a pessoa está lá... e depois não está mais. Adormeci tendo um pai, uma mãe, um irmão... quando acordei eles não estavam mais.... não só não estavam lá... não existiam mais.

Viraram três estrelinhas no céu (e eu quase acreditei... ou, por um tempo, acreditei).

De uma coisa que lembro é de eu sair procurá-los nos lugares que costumávamos ir. 'Eles estão lá... eles estão lá... eles estão lá' ... eu pensava com toda a força, com toda fé que uma criança de sete anos pode ter. É claro, eles não estavam.

Foi aí que eu aprendi que não é a fé que move montanhas...

Foi aí que comecei a conversar com Deus.... lembro que eu falava pra Ele que faria qualquer coisa que Ele quisesse se me devolvesse a minha família. Não preciso dizer que Ele não me devolveu.

E foi aí que eu comecei a duvidar da existência dEle.... um paradoxo... porque, ao mesmo tempo, eu acreditava do fundo da minha alma que Ele só podia existir sim...

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