Quantas vezes eu revivi em pensamento aquele dia e início de noite!? Milhares de milhares.
Primeiro a Joaquina, que Noa conhece de cor. Enquanto caminhávamos pela areia, Noa me deu uma aula de Geografia e História. 'A praia tem 3.000 metros de extensão e sua largura varia de 8 a 70 metros. Nem sempre se chamou Joaquina; a denominação é recente, aparecendo pela primeira vez em mapas a partir de 1975, antes era chamada de praia do Campeche.... que está logo aí adiante', falou apontando na direção do Campeche.
O sol batia no mar que refletia o céu. Um mar prata e azul... azul da cor do mar, exatamente como tem de ser o mar. A areia macia acariciava nossos pés - adoro pés. Os pés de Noa... lindos!
'O nome Joaquina parece ter sido dado em homenagem a Dona Joaquina, uma moradora das praias do leste desta nossa bela ilha; Dona Joaquina, uma mulher bondosa, que ensinava as outras mulheres que moravam por perto a fabricar utensílios domésticos de linhas entrelaçadas, e também alimentava os pescadores que apareciam em sua casa'... continuava a voz forte e doce de Noa.
Eu flutuei; eu sei, eu sei, é impossível uma pessoa flutuar. Mas, eu juro, eu flutuei... não consigo colocar em palavras a sensação de não sentir meu corpo... eu flutuei: é o mais perto que consigo chegar da descrição daquela meia hora, daquele meio dia e pedacinho de noite.
O vento soprava muito de mansinho e só de quando em quando... "Dona Joaquina foi tragada pelo mar... ela trabalhava com suas rendas e encantada - assim como você está -' ele falou e piscou pra mim... tenho certeza de que fiquei vermelha... 'calma, calma'... repeti pra mim mesma...
'não percebeu a maré subir, e o mar levou Dona Joaquina que flutuou em suas rendas até sumir lá - ele apontou - lá naquela linha em que a Terra começa a ficar redondinha'.
'Que fofo'... pensei... só pensei.
E tiramos fotos, muitas fotos. Bendita tecnologia dos celulares que permite deixar registrado os momentos felizes, os momentos lindos.
Nenhuma de nós dois juntos... ele sozinho, eu sozinha... e o resto... todo o resto que estava ao nosso redor.
Agora, toda vez que vou à Joaca - apelido carinhoso que a praia ganhou -, fecho os olhos e revivo cada momento daquele dia. Ouço no vento a voz de Noa.
A voz de Noa.... Se eu, de olhos fechados, ouvir as bilhões de vozes que existem no mundo, você sabe que eu vou reconhecer exatamente a dele... você sabe, não sabe?
Eu sei...
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