quinta-feira, 28 de março de 2013

Como a velocidade da luz... assim é que me movo quando vou encontrar Jorge. Não gosto de deixar as pessoas esperando e deixar Jorge me esperando gosto menos ainda. Então é na velocidade da luz que vou na direção dele.

Ele estava sentado naquela mesinha da foto de dois ou três blogs atrás. De frente para a SC - para poder me ver quando eu chegasse... eu sabia. Era sempre assim. Se eu andava na velocidade da luz pra ficar perto dele, ele não escondia nem um pouquinho que adorava minha companhia.

Ele se aproximou sorrindo. 'Meu Deus, como ele é lindo', pensei pela milionésima vez. Com uma camisa branca (ele quase sempre estava de camisa branca) de mangas curtas, uma bermuda azul bem escuro e sandálias... se aproximou, como sempre, cheio de vida.

A minha vida é cercada de morte. Conheço a morte de todos os ângulos, de todos os tons, de todos os sons. Você já sentiu o som da morte? É bem provável que poucas pessoas tenham se dado conta do som da morte quando ela está por perto. Normalmente, as pessoas estão preocupadas com outras coisas, ouvindo outros sons, e não percebem o som angustiante da morte. É horripilante.

Ainda bem que existe a música pra contrabalançar. Porque, depois de ouvir o som da morte, você leva muito, mas muito tempo mesmo, pra esquecer. O som fica gravado quase materialmente na sua cabeça. Ele fica lá tomando conta de todos os cantos, enchendo o salão. E é preciso música, muita música pra voltar ao normal.

Sabe por que moro bem de frente pro mar? Pra de noite ouvir as ondas batendo no costão e não ouvir o som da morte.

Ao contrário do que parece, não tenho medo da morte. Só não quero ela na minha cabeça enquanto estou viva. Quando chegar minha hora, eu vou, vou enfrentá-la com um sorriso cínico nos lábios, vou olhar olho no olho... com desprezo, depois vou seguir em frente como se ela não existisse. Porque, quando eu chegar lá, de uma coisa eu tenho certeza, eu tive algo que a morte nunca teve: vida. Eu ganhei: eu tive vida e morte. A morte só teve morte.

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